KPIs da produção: do estratégico ao chão de fábrica – OEE

Produtividade real não está no quanto a fábrica trabalha, mas no quanto ela transforma esforço em resultado. O OEE mostra essa eficiência com precisão.

Em uma fábrica, “estar produzindo” não significa necessariamente “produzir bem”. Máquinas podem estar em movimento, operadores podem estar trabalhando e ordens podem estar em execução — e, ainda assim, a eficiência pode estar longe do ideal.

É justamente por isso que o OEE (Overall Equipment Effectiveness) se tornou um dos indicadores mais importantes da indústria contemporânea.

Ele mostra, de maneira direta e mensurável, quanto do potencial produtivo de uma linha está sendo realmente aproveitado. Não importa o segmento: automotivo, alimentos, farmacêutico, metalmecânico ou bens de consumo.

Sempre que existe um recurso produtivo e um ciclo de transformação, existe oportunidade de medir eficiência — e o OEE é o indicador mais completo para isso.

Sua fórmula une três perspectivas fundamentais:

OEE = Disponibilidade × Performance × Qualidade

  • Disponibilidade considera o tempo em que a máquina ficou, de fato, produzindo.
  • Performance avalia se o ciclo ocorreu na velocidade ideal, sem lentidões ou microparadas.
  • Qualidade mede a proporção entre produtos bons e o total produzido, incluindo retrabalho e refugos.

A combinação desses três fatores cria uma visão precisa da saúde produtiva. Um OEE baixo significa que algo está comprometendo o fluxo: paradas inesperadas, instabilidade de processo, operadores sobrecarregados, máquinas envelhecidas, setups longos ou variações de velocidade que passam despercebidas.

Por isso, entender o OEE de forma profunda não é olhar para um número isolado. É compreender como as perdas se distribuem pela fábrica, como cada área contribui para elas e como as camadas estratégica, tática e operacional podem transformar esse indicador em alavanca de competitividade.

OEE e a camada estratégica

No nível estratégico, o OEE não é apenas um indicador técnico. Ele se transforma em um parâmetro de competitividade industrial, mostrando se a empresa utiliza seus ativos de forma inteligente.

Diretores industriais, CFOs e CEOs olham o OEE sob a ótica de:

  • Rentabilidade dos ativos, analisando se o parque produtivo está sendo plenamente aproveitado.
  • Custo operacional, já que perdas e paradas representam energia desperdiçada, horas extras, estoques maiores e prazos estendidos.
  • Capacidade de atender novos contratos, algo diretamente relacionado à eficiência disponível.
  • Sustentabilidade, pois desperdício é também consumo desnecessário de recursos.

Um OEE consistente indica que a empresa domina seu processo. Já a queda constante no indicador normalmente sinaliza problemas estruturais: tecnologia ultrapassada, falta de integração entre sistemas, políticas de manutenção inconsistentes ou metas comerciais desconectadas da capacidade real da fábrica.

As decisões estratégicas mais influenciadas pelo OEE incluem:

1. Planejamento de investimentos
Quando o OEE aponta limitações claras, a direção identifica se vale a pena ampliar linhas, modernizar máquinas, adotar automação adicional ou reforçar a digitalização.

2. Estratégias de expansão
Capacidade produtiva precisa ser confiável. Crescer com processos instáveis aumenta risco e compromete prazos.

3. Revisão do mix de produtos
Produtos que consomem capacidade e entregam baixa eficiência reduzem margem. O OEE ajuda a identificar o equilíbrio ideal entre variedade e produtividade.

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4. Benchmarking interno
Plantas e linhas podem ser comparadas, criando uma visão global de melhores práticas.

No nível estratégico, o OEE não é apenas um número, é um indicador de maturidade industrial. Ele revela o quanto a empresa domina seus processos e o quanto está preparada para crescer sem desperdiçar capacidade.

OEE e a camada tática

É na camada tática que o OEE revela suas causas com mais clareza. PPCP, engenharia de processos, manutenção e equipes de qualidade analisam o indicador diariamente, buscando entender por que a eficiência subiu ou caiu.

O papel dessa camada é converter o OEE em ações práticas, sempre com foco em estabilidade e previsibilidade.

Entre as atividades típicas dessa esfera estão:

1. Análise profunda das perdas

Cada ponto percentual perdido tem um motivo:

  • trocas de modelo mais longas que o previsto;
  • falhas de manutenção corretiva;
  • lentidão em determinados turnos;
  • variações de processo entre lotes;
  • defeitos de qualidade que exigem retrabalho.

A camada tática mapeia e prioriza essas causas.

2. Padronização e estabilidade

A padronização é essencial. Processos variáveis geram ciclos imprevisíveis, que derrubam performance e aumentam retrabalho.

3. Integração com o planejamento APS

Ao integrar o MES ao APS, a programação passa a considerar a capacidade real da linha. Sequenciamentos deixam de ser acadêmicos e passam a ser programações praticáveis, orientadas não apenas pela eficiência de cada recurso, mas pela lógica dos pedidos em carteira, garantindo que a produção avance de forma sincronizada até a conclusão do produto final.

4. Manutenção planejada e preditiva

A camada tática traduz o OEE em políticas de manutenção. Máquinas com baixa disponibilidade precisam de rotinas específicas, seja por desgaste mecânico, seja por falhas recorrentes.

5. Comparação entre turnos

Diferenças entre equipes revelam necessidades de treinamento, ajustes de processo ou revisão de instruções operacionais.

6. Priorização de projetos de melhoria

Com base no OEE, a fábrica identifica onde investir tempo, tecnologia ou esforço de engenharia.

O time tático transforma o indicador em uma espécie de mapa. Onde está a maior perda? Qual causa se repete? Qual linha entrega mais instabilidade? O OEE não é apenas uma fotografia — é uma narrativa completa sobre eficiência, desperdícios e oportunidades de ganho.

A camada tática, portanto, é onde a eficiência deixa de ser teórica e passa a orientar o ritmo diário da fábrica.

OEE e a camada operacional

No chão de fábrica, o OEE se conecta diretamente ao ritmo da produção. Operadores, líderes de turno e equipes de manutenção lidam com suas consequências minuto a minuto.

Para eles, o indicador precisa ser visível, claro e fácil de interpretar. Painéis em tempo real, alertas imediatos e registros simples tornam o OEE parte da rotina e não um relatório distante.

O que mais afeta o OEE no campo operacional?

1. Microparadas
Alguns segundos aqui e ali parecem insignificantes, mas somados ao longo do dia podem representar horas perdidas.

2. Ciclos irregulares
Quando a máquina não mantém o ritmo nominal, a performance cai silenciosamente.

3. Setups mal estruturados
Trocas de modelo mal definidas geram atrasos, retrabalhos e inconsistência. A integração com o APS contribui diretamente nesse ponto ao definir a sequência mais adequada das ordens de produção, reduzindo trocas desnecessárias e preservando a estabilidade do fluxo.

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4. Perdas de qualidade
Peças rejeitadas reduzem o índice mesmo quando a velocidade está correta.

5. Falta de disponibilidade de insumos
Produção parada por falta de material é uma perda direta que reduz a eficiência imediatamente. Essa análise começa nas etapas de MRP e se consolida no sequenciamento da produção pelo APS, que garante alinhamento entre materiais disponíveis, prioridades e ritmo da fábrica.

Como elevar o OEE nessa camada?

  • Dar visibilidade ao indicador para que cada operador entenda sua contribuição.
  • Treinar equipes para identificar e relatar perdas com precisão.
  • Garantir que instruções de trabalho estejam atualizadas e claras.
  • Estabelecer rotinas de manutenção autônoma.
  • Padronizar setups e reduzir variações entre turnos.

Quando o OEE se torna parte do dia a dia, o operador percebe a relação entre seu comportamento e o desempenho da linha. Esse entendimento cria uma cultura de atenção ao detalhe e de respeito ao fluxo produtivo.

Quando eficiência se transforma em inteligência

Medir o OEE é importante, mas a verdadeira transformação acontece quando a fábrica consegue interpretar suas causas, integrá-lo a outros sistemas e agir rapidamente sobre os desvios.

É aqui que a manufatura digital amplia o poder do indicador.

Com soluções Siemens implementadas pela APS3, o OEE deixa de ser um gráfico no final do turno e passa a ser:

  • um painel vivo, atualizado segundo a segundo;
  • uma ferramenta de decisão;
  • um recurso para prever problemas antes que eles ocorram;
  • um ponto de convergência entre planejamento, engenharia, qualidade e manutenção.

Plataformas como o Opcenter X, o Opcenter APS e o Teamcenter PLM conectam dados de máquina, ordens, operadores e engenharia em uma única estrutura. Essa integração permite enxergar o impacto de cada perda, entender suas causas e agir com consistência.

O resultado é uma operação mais estável, mais previsível e mais competitiva. Um OEE saudável não vem por acaso — vem de informação conectada, decisões inteligentes e processos digitalmente integrados.

Saiba como elevar o OEE da sua operação e acelerar sua transformação digital em www.aps3.com.br.

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