Como integrar produção interna e terceirizada no mesmo planejamento

Pintura, tratamento térmico, usinagem, acabamento ou montagem podem acontecer fora da fábrica, mas continuam fazendo parte do prazo do pedido e precisam estar conectados à programação.

Uma peça termina a usinagem interna na terça-feira e precisa seguir para tratamento térmico em um fornecedor. A próxima operação dentro da fábrica está prevista para sexta. No planejamento, deixar três dias livres entre essas duas etapas pode parecer suficiente. O problema é que esse intervalo esconde uma série de condições: quando o material será enviado, quanto tempo ficará aguardando no terceiro, quando será processado, como ocorrerá o transporte de retorno e se ainda precisará passar por inspeção antes de voltar à produção.

Quando essas variáveis ficam fora da programação, a ordem parece viável até que uma delas atrase. Por isso, o planejamento da produção terceirizada precisa considerar as operações externas como parte do mesmo fluxo produtivo, mesmo que a empresa não controle diretamente os recursos utilizados pelo fornecedor.

Terceirizar uma operação não elimina sua dependência

A subcontratação industrial pode fazer parte da estratégia produtiva por diferentes motivos. Algumas empresas terceirizam processos que exigem equipamentos específicos, enquanto outras utilizam fornecedores para absorver picos de demanda ou complementar sua capacidade.

É comum encontrar esse modelo em operações de pintura, galvanização, tratamento térmico, usinagem especializada, acabamento, montagem e embalagem. Em todos esses casos, o produto ou componente sai temporariamente da fábrica e precisa retornar para que o roteiro de produção continue.

O fato de o recurso estar fora da empresa muda a forma de administrá-lo, mas não elimina sua influência sobre materiais e prazos.

Se uma peça precisa passar obrigatoriamente por tratamento térmico antes da montagem, não adianta programar a montagem para quarta-feira se o retorno do fornecedor está previsto apenas para quinta. A operação interna depende diretamente da conclusão da etapa externa.

O intervalo genérico esconde o que realmente acontece

Um dos problemas aparece quando o sistema representa a terceirização apenas como um prazo fixo. A programação registra cinco dias entre duas operações e considera que isso será suficiente, independentemente do que acontece durante esse período.

Esse tratamento simplifica demais um processo que pode envolver várias atividades.

O lote precisa ser preparado para expedição, coletado ou transportado, recebido pelo fornecedor, entrar em uma fila, passar pelo processo contratado e retornar à fábrica. Dependendo da operação, ainda haverá conferência dimensional, ensaio, inspeção visual ou outra verificação antes que o material seja liberado.

Todos esses tempos contribuem para o lead time de produção. Ignorar esperas, transporte e disponibilidade de fornecedores pode fazer com que o prazo calculado represente apenas uma parte do caminho percorrido pelo pedido.

Quanto maior a participação de terceiros no roteiro, maior tende a ser a diferença entre uma programação baseada apenas nos tempos internos e o fluxo que realmente acontece.

O atraso externo pode deixar a capacidade interna esperando

Considere uma empresa que fabrica componentes e terceiriza a pintura. O PPCP programa a montagem final para segunda-feira porque espera receber as peças pintadas na sexta anterior.

Se o fornecedor atrasar dois dias, o problema não fica limitado à pintura. A equipe reservada para a montagem poderá não ter material para trabalhar, a máquina prevista para aquela ordem precisará receber outro serviço e as ordens seguintes poderão mudar de posição.

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É nesse ponto que produção interna e terceirizada passam a disputar a atenção do mesmo planejamento.

Uma mudança externa pode alterar a utilização dos recursos internos da mesma maneira que uma quebra de máquina, uma falta de matéria-prima ou um aumento inesperado de prioridade. O PPCP precisa enxergar essa relação antes que a data prometida ao cliente seja comprometida.

Materiais enviados também precisam fazer parte da programação

A disponibilidade do fornecedor não é a única condição para executar uma operação terceirizada. O material necessário precisa chegar a ele no momento adequado.

Imagine um lote dividido em 200 peças, das quais apenas 120 foram concluídas internamente. Enviar uma quantidade parcial pode antecipar a operação externa, mas também pode gerar dois transportes, duas entradas no fornecedor e dois retornos para inspeção. Aguardar as 200 peças reduz essas movimentações, porém pode atrasar o início da etapa seguinte.

Não existe uma resposta única para esse tipo de decisão.

O melhor caminho depende do prazo do pedido, do custo e tempo de transporte, da disponibilidade do terceiro, das operações seguintes e da capacidade interna que será liberada ou ocupada em cada alternativa.

O planejamento de terceiros, portanto, precisa manter a relação entre a quantidade produzida internamente, o material enviado e o momento em que ele deverá retornar.

Calendário de fornecedor não é igual ao calendário da fábrica

Outro ponto que pode distorcer a programação é assumir que todos os participantes do processo trabalham com o mesmo calendário.

A fábrica pode operar em dois ou três turnos, enquanto o fornecedor trabalha somente em horário comercial. Pode haver dias específicos para coleta, uma janela semanal para determinado tratamento ou capacidades contratadas diferentes conforme o período.

O PPCP não precisa administrar a agenda completa do fornecedor como administra uma máquina própria, mas precisa representar as condições que interferem no prazo.

Isso vale especialmente quando o terceiro atende várias empresas. O fato de um processo consumir quatro horas não significa que a peça retornará quatro horas depois de ser enviada. Pode existir uma fila antes da operação, além dos tempos de transporte e liberação.

Representar essas restrições torna a programação da produção mais próxima do que realmente pode ser executado.

Produzir internamente ou terceirizar também pode ser uma decisão de capacidade

Em algumas fábricas, determinadas operações podem seguir mais de uma rota. Uma peça pode ser produzida internamente ou enviada para um fornecedor homologado, dependendo da carga da fábrica, do prazo e da disponibilidade externa.

É uma decisão que não deveria considerar somente o custo unitário da terceirização.

Imagine que uma máquina interna esteja próxima de sua capacidade máxima e seja necessária para vários pedidos prioritários. Transferir determinada operação para um terceiro pode custar mais isoladamente, mas liberar o recurso para outras ordens e melhorar o cumprimento dos prazos.

Em outra situação, o fornecedor pode estar sobrecarregado e tornar a produção interna mais vantajosa.

Esse tipo de escolha exige enxergar a capacidade finita da produção e as dependências entre os recursos, em vez de avaliar cada operação separadamente. Sistemas APS são utilizados justamente para representar limites de máquinas, materiais, operações e outros recursos dentro da programação.

Mudou o prazo do fornecedor, muda o restante da programação

Um fornecedor informa na quarta-feira que um lote previsto para retornar na sexta chegará apenas na terça seguinte. Para o PPCP, saber que houve atraso é apenas o começo.

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A questão seguinte é entender quais ordens serão afetadas e efetuar a reprogramação da produção, pois um atraso raramente afeta somente a ordem que sofreu o problema. Alterar sua posição pode abrir espaços e criar conflitos em outros pontos do plano.

Pode ser necessário antecipar outro produto, transferir uma operação para um segundo fornecedor homologado, dividir um lote, reorganizar recursos internos ou utilizar a capacidade que ficou temporariamente disponível para outra produção.

É justamente nessas situações que a simulação de alternativas ganha importância. Em vez de alterar a programação diretamente e descobrir as consequências depois, o planejador pode comparar possibilidades e avaliar seus impactos sobre prazos e recursos. A APS3 apresenta a análise de diferentes cenários como uma das aplicações dos sistemas APS diante de mudanças de materiais, prioridades e restrições da cadeia produtiva.

Planejamento integrado acompanha o pedido dentro e fora da fábrica

O planejamento integrado não exige que a empresa tenha sobre o fornecedor o mesmo nível de controle existente sobre seus próprios equipamentos. O que precisa existir é visibilidade suficiente para representar as dependências relevantes.

Prazo acordado, transporte, calendário, quantidade enviada, disponibilidade de materiais, inspeção no retorno e ligação entre operações precisam fazer parte da lógica usada pelo PPCP.

Assim, uma etapa terceirizada deixa de aparecer como um espaço vazio entre duas operações internas e passa a ocupar seu verdadeiro lugar no prazo do pedido.

Quanto mais rotas, fornecedores, alternativas de fabricação e restrições estiverem envolvidas, mais difícil se torna avaliar manualmente todas as combinações. O Opcenter APS permite modelar recursos, operações, materiais e restrições e analisar diferentes configurações antes de alterar a programação. A solução também possibilita avaliar cenários diante de atrasos de materiais, mudanças de prioridade e outras ocorrências que interferem no fluxo produtivo.

Com uma programação capaz de acompanhar o pedido mesmo quando parte dele sai da fábrica, o PPCP ganha uma visão mais consistente das consequências de cada mudança e pode reagir sem perder de vista as demais ordens. A APS3 atua na implantação do Opcenter APS para apoiar empresas que precisam coordenar ambientes produtivos com múltiplas restrições e dependências.

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