Green scheduling: como reduzir CO₂ no planejamento da produção

Green scheduling incorpora consumo de energia e emissões às decisões do PPCP, ajudando a comparar sequências produtivas mais sustentáveis sem ignorar prazos, capacidade e custos.

Uma programação de produção pode atender todos os pedidos no prazo e, ainda assim, consumir mais energia do que outra capaz de entregar exatamente a mesma carteira. Isso acontece porque a pegada da operação não depende apenas do volume fabricado, mas também da sequência escolhida, dos setups realizados, dos períodos de espera, dos equipamentos utilizados e do momento em que determinadas atividades são executadas.

O green scheduling leva essas diferenças para dentro do planejamento. Em vez de avaliar uma programação somente por prazo, capacidade, custo, produtividade e throughput, o PPCP também pode considerar consumo energético e emissões ao comparar alternativas.

Isso não significa escolher sempre a sequência de menor consumo. Uma programação que economiza energia, mas cria atraso, aumenta estoques ou sobrecarrega um gargalo pode apenas transferir o problema para outra parte da operação. A proposta é identificar, entre as alternativas realmente executáveis, aquelas que oferecem um equilíbrio mais adequado entre desempenho produtivo e impacto ambiental.

A discussão tem relevância porque as operações realizadas dentro da fábrica podem representar uma parcela significativa da pegada de carbono. O white paper Green scheduling, da Siemens Digital Industries Software, cita dados do Carbon Catalogue, base científica que reúne informações sobre a pegada de carbono de produtos comerciais. Segundo os dados apresentados, as operações diretas podem chegar a 30% da pegada analisada em alguns setores, sem considerar as etapas anteriores e posteriores da cadeia.

Parte da redução de CO₂ na manufatura, portanto, também pode começar em decisões que o PPCP já toma diariamente.

O que é green scheduling

Scheduling é a programação detalhada da produção. Tradicionalmente, sua otimização procura atender objetivos como prazo, custo, produtividade, utilização dos recursos e throughput. O green scheduling representa uma evolução dessa lógica ao incorporar também critérios ambientais, como consumo de energia e emissões, sem deixar de considerar as necessidades produtivas.

Em uma fábrica, essa programação precisa respeitar diversas restrições ao mesmo tempo. Uma máquina pode estar comprometida com outro pedido, determinado material pode ainda não ter chegado, uma ferramenta pode ser compartilhada entre duas linhas e uma operação pode depender de um profissional habilitado disponível apenas em certos turnos.

Com o green scheduling, duas programações capazes de atender à mesma demanda podem ser comparadas também pelo seu comportamento energético. Imagine uma operação que possa ser executada em duas máquinas. A primeira conclui o trabalho em 50 minutos. A segunda leva 55 minutos, mas consome menos energia durante o processo. Se ambas permitirem cumprir o prazo e não criarem problemas nas operações seguintes, a segunda pode ser uma alternativa interessante.

A decisão muda se essa máquina estiver próxima de se tornar um gargalo ou for necessária para outro produto que não possui recurso alternativo. O critério ambiental passa, assim, a fazer parte da mesma análise que já envolve prazo, capacidade, materiais, custos e prioridades.

Como o sequenciamento da produção interfere no consumo de energia

A ordem das atividades pode modificar a forma como os recursos utilizam energia mesmo quando o volume final produzido permanece igual.

Considere uma fábrica que trabalha com diversas famílias de produtos. Algumas exigem temperaturas diferentes, outras precisam de ferramentas específicas, parâmetros próprios ou configurações particulares de máquina. Alternar constantemente entre essas famílias pode aumentar setups, aquecimentos, resfriamentos, limpezas e acionamentos de equipamentos auxiliares.

Quando a carteira permite, agrupar ordens compatíveis pode reduzir parte dessas transições. A lógica já é conhecida pelo PPCP por causa da redução de setups, mas o green scheduling acrescenta outra variável: o consumo associado a essas mudanças.

As regras de sequenciamento podem combinar prioridades, datas de entrega, características dos produtos e restrições dos recursos. Quando dados energéticos também estão disponíveis, consumo e emissões podem entrar na avaliação das alternativas.

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Ociosidade também faz parte da eficiência energética

O período em que um equipamento permanece entre operações também merece atenção. Dependendo do processo, uma máquina que não está produzindo pode continuar utilizando energia em sistemas hidráulicos, refrigeração, aquecimento, ventilação, bombas, compressores ou controles auxiliares.

Uma programação com várias pequenas interrupções pode, portanto, apresentar comportamento energético diferente de outra que concentra melhor a carga. Em certas operações, uma janela de inatividade bem definida pode ser mais interessante do que manter o recurso energizado durante diversas esperas curtas ao longo do turno.

Isso não significa perseguir 100% de ocupação. Produzir apenas para evitar que uma máquina fique parada pode gerar estoque desnecessário, antecipar consumo de materiais e criar filas nas etapas seguintes. A redução da ociosidade precisa estar associada à necessidade real de produção e ao equilíbrio do fluxo, e não apenas à utilização máxima de cada equipamento isoladamente.

A máquina mais rápida nem sempre é a melhor alternativa

A escolha do recurso também influencia o resultado quando uma operação pode passar por equipamentos diferentes.

Uma fábrica pode ter máquinas de gerações, capacidades ou tecnologias distintas realizando processos semelhantes. Uma delas pode concluir a operação mais rapidamente, enquanto outra utiliza menos energia para fabricar a mesma peça. O comportamento também pode variar conforme carga, velocidade, produto ou configuração.

Se dois equipamentos permitem cumprir o prazo, o desempenho energético pode ajudar na escolha. Porém, direcionar todas as ordens para a máquina de menor consumo pode criar uma fila e comprometer outros pedidos. Da mesma maneira, usar sempre o equipamento mais rápido pode deixar de aproveitar oportunidades de reduzir energia sem alterar significativamente o desempenho da carteira.

O sequenciamento verde não procura a melhor máquina de forma isolada. Ele avalia como a alocação daquela operação interfere no restante da programação.

Green scheduling precisa respeitar a capacidade real da fábrica

Qualquer ganho ambiental perde valor se a programação não puder ser executada. Imagine que três ordens semelhantes possam ser fabricadas em sequência, reduzindo setups e consumo. Se o material da terceira chegar apenas no turno seguinte, manter o agrupamento pode significar deixar o recurso esperando o componente.

Ferramentas, moldes, operadores, manutenção, calendários e relações entre operações também restringem as possibilidades. Por isso, o green scheduling depende de uma programação com capacidade finita, capaz de representar os limites reais dos recursos antes de definir a sequência.

A comparação ambiental deve ocorrer entre alternativas viáveis. Uma sequência teoricamente econômica em energia não serve ao PPCP se exige dois pedidos simultaneamente na mesma máquina, uma ferramenta indisponível ou um componente que ainda não chegou.

Essa combinação entre capacidade finita e critérios ambientais evita tratar sustentabilidade como um cálculo separado do funcionamento da fábrica.

Energia e CO₂ podem levar a decisões diferentes

Consumo energético e emissão de CO₂ possuem relação, mas não representam exatamente a mesma informação. A pegada associada à energia também depende de sua origem, o que acrescenta outra possibilidade ao planejamento.

Quando a operação possui dados suficientes e alguma flexibilidade de horário, processos de maior consumo podem ser avaliados também pelo momento em que serão executados. Uma indústria com geração própria, por exemplo, pode ter períodos com maior disponibilidade de energia renovável. Se determinada atividade puder ser deslocada sem comprometer entrega, capacidade ou etapas posteriores, o horário passa a fazer parte da comparação.

Isso não significa que toda empresa precise iniciar um projeto de green scheduling com esse nível de detalhamento. O trabalho pode começar pela identificação de recursos de maior consumo, setups energeticamente intensivos e diferenças relevantes entre máquinas alternativas, incorporando informações adicionais conforme a qualidade dos dados e a maturidade do planejamento evoluem.

Como comparar uma programação tradicional com uma programação verde

Uma maneira simples de entender a diferença é imaginar duas alternativas para a mesma carteira de pedidos.

Na primeira, o principal objetivo é concluir as ordens o mais cedo possível. As máquinas mais rápidas recebem preferência e as atividades são encaixadas nos primeiros espaços disponíveis. A programação pode apresentar ótimo desempenho em prazo, mas provocar mais setups, transições ou pequenos períodos de espera.

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Na segunda, prazo e capacidade continuam sendo respeitados, mas o sequenciamento também procura reduzir determinadas transições e utilizar recursos energeticamente mais adequados quando existe margem para isso.

A primeira alternativa pode concluir algumas ordens antes, enquanto a segunda pode reduzir o consumo energético com pequena diferença no tempo total. Também pode existir uma terceira programação que encontre um equilíbrio melhor entre esses objetivos.

A simulação de cenários permite comparar essas diferenças antes de alterar a produção. Em vez de escolher uma regra com base apenas em percepção, o PPCP pode analisar os efeitos sobre prazo, setups, utilização dos recursos, estoques, energia e emissões.

Esse tipo de comparação é especialmente útil porque os objetivos podem receber prioridades diferentes de acordo com a situação. Uma ordem urgente pode exigir maior peso para prazo, enquanto uma carteira com maior folga pode permitir explorar alternativas energeticamente mais eficientes.

Como o APS pode apoiar o green scheduling

Quanto maior o número de ordens, recursos e restrições, mais difícil se torna analisar manualmente todas as combinações possíveis. Um sistema APS (Advanced Planning and Scheduling) trabalha com informações sobre ordens, máquinas, capacidade, materiais, calendários, operadores, ferramentas e prioridades para construir programações compatíveis com as condições da operação.

No Opcenter APS, informações relacionadas a consumo de energia e emissões de CO₂ podem fazer parte do modelo juntamente com custos, tempos de setup e restrições envolvendo materiais, operadores, ferramentas e outros recursos. Diferentes parâmetros também podem ser combinados com pesos específicos, permitindo ajustar o sequenciamento conforme os objetivos definidos pela empresa.

Com essas informações integradas ao scheduling, o PPCP pode comparar cenários considerando não apenas tempo e custo, mas também o comportamento energético e as emissões. Uma alternativa pode dar maior prioridade às entregas, outra à redução de setups e uma terceira buscar um equilíbrio diferente entre capacidade, prazo, energia e CO₂.

Para uma indústria, a maior oportunidade pode estar em diminuir transições entre produtos. Para outra, pode aparecer na escolha entre recursos alternativos, na redução de períodos improdutivos ou no melhor momento para executar processos de maior consumo. O valor do green scheduling está em transformar essas possibilidades em cenários que podem ser analisados antes que as decisões cheguem ao chão de fábrica.

A APS3 atua na implantação do Opcenter APS, solução Siemens para planejamento, capacidade finita e sequenciamento avançado da produção. Um modelo que represente adequadamente recursos e restrições permite ampliar os critérios usados pelo PPCP e incluir consumo de energia e sustentabilidade nas decisões de programação.

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